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Principais Erros em Apresentações #1: Espelho, espelho meu...

Ilustração em traço linear de uma pessoa segurando um espelho de mão e dizendo 'OLHE PARA MIM!', com uma planta ao seu lado
um jovem de óculos em pé diante de uma montanha
um jovem de óculos em pé diante de uma montanha

Equipe Lupa

O Erro


Este é um dos principais erros que os apresentadores cometem: a maioria dos clientes chega até nós com apresentações de vendas que abrem com "quem somos", a história da fundação, a equipe, os prêmios e aquela tela cheia de logotipos de clientes.


Seu herói nunca é você


Uma narrativa eficaz é construída sobre uma estrutura de três papéis: um herói, um adversário e um mentor.


Repita comigo: o seu herói é o seu público. Nunca é você ou a sua ideia. Se você abre o seu pitch falando sobre a sua solução brilhante, você coloca o seu público no lugar de um observador passivo — e observadores passivos não compram. O seu cliente em potencial não se importa com você ou com a sua lista de clientes, pelo menos não ainda. Eles querem resolver a dor deles. Quanto mais você fala de si mesmo no início, menos convincente você se torna.


Aqui está uma estrutura que realmente funciona:


  1. No mesmo barco


    Antes de dizer uma única palavra sobre a sua empresa, prove que você entende o mundo do seu cliente:

    O que está tirando o sono deles?

    O que está dando errado?

    Qual é o custo de não fazer nada?


    Defina a realidade atual deles:

    Como é o mundo deles hoje?

    Quais são os seus maiores desafios?

    Quem ou o que é o adversário no caminho deles?


  2. Mudando de rota


    Torne o custo do status quo impossível de ignorar. Continuar onde estão não é uma escolha neutra. Isso está ativamente fazendo com que percam dinheiro, tempo, participação de mercado ou talentos. É aqui que você transforma um problema vago em um número: em vez de "43% podem ir embora", use "R$ 430.000 este ano, o equivalente a 10 novos contratos". Se eles não sentirem que o caminho atual é insustentável, nada mais no seu pitch vai funcionar.


  3. Agora ou nunca


    Mudar por si só não basta. É preciso urgência. Por que isso não pode esperar mais um trimestre? O que está mudando no mercado, na organização ou no cenário competitivo deles que faz de hoje o momento de agir? Cada trimestre de atraso tem um custo: dê nome a ele! Essa é a diferença entre "talvez devêssemos resolver isso um dia" e "precisamos agir agora". O seu papel nesta etapa não é vender, é deixá-los desconfortáveis o suficiente para tomar uma atitude.


  4. A salvação


    Agora que eles estão concordando, agora que se sentem compreendidos e desafiados, é aí que os seus diferenciais fazem sentido. É aí que o "por que nós" realmente ganha valor. Você lidera com a história deles e termina com a sua solução.


    A Jornada do Herói


    Mostre a eles o estado final desejado, como é a vitória para eles. Essa é a clássica jornada do herói: o desafio, as ferramentas e a vitória, com o seu cliente sempre no centro de tudo.


    E lembre-se: a solução não é o herói. Apresente a sua solução como o presente que você, o mentor, entrega ao seu cliente — a ferramenta que eles usarão para derrotar o adversário que está entre eles e a vitória. Foque na transformação que a ferramenta possibilita, não nas funcionalidades dela.


Ilustração de uma figura gigante de um Viking encarando um pequeno jogador de futebol com uma bola, no gramado de um estádio sob os refletores
Por que isso importa


Tome esta Copa do Mundo como exemplo. A seleção brasileira, pentacampeã, repleta de talento e história, foi eliminada pela Noruega — uma equipe que nunca levantou a taça da Copa do Mundo. A Noruega encontrou a estratégia certa e a executou com precisão exatamente quando mais importava: os dois gols de Haaland nos 11 minutos finais foram suficientes para nos mandar de volta para casa. Esse é o dom do mentor — não o maior nome ou o currículo mais longo, mas a ferramenta certa, usada no momento certo. As cinco estrelas na camisa do Brasil não garantiram a vitória. O mesmo vale para quem é o atual líder, o líder de mercado ou quem tem o maior orçamento. A estratégia certa, aplicada no momento certo, faz toda a diferença.


Há um paralelo que vale a pena traçar aqui: alguns diriam que o futebol brasileiro carrega uma certa soberba — de entrar em campo de salto alto. A Noruega fez o oposto: sem salto alto, apenas um plano de jogo sólido, executado quando era preciso. E apesar do coração partido compartilhado por todo o país, Haaland virou meme em todas as redes sociais brasileiras, com mais carinho do que ressentimento. Quem sabe na próxima Copa do Mundo, a gente aprenda a lição e entre em campo um pouco menos "de salto alto" e com mais humildade.